SEGUNDAS MORADAS – Cap. único. 1 a 6.

SEGUNDAS MORADAS
CAPÍTULO ÚNICO. Trata do muito que importa a perseverança para chegar às últimas moradas, e a grande guerra que dá o demónio, e quanto convém não errar o caminho no princípio para acertar. Dá um meio que experimentou ser muito eficaz.

1. Agora, vejamos quais serão as almas que entram nas segundas moradas e o
que fazem nelas. Quereria dizer-vos pouco, porque já disse bastante em outras partes
e será impossível deixar de tornar a dizer outra vez muito sobre isso, porque não me
lembra nada do que já foi dito; se o pudesse guisar de diferentes maneiras, bem sei
que não vos enfastiaríeis, como nunca nos cansamos dos livros que tratam disto,
apesar de serem muitos.

2. É esta morada a dos que já começaram a ter oração e entendido quanto lhes
importa não se ficarem nas primeiras moradas, mas não têm ainda determinação para
deixar de estar nela muitas vezes, porque não deixam as ocasiões, o que é grande
perigo. Mas já é grande misericórdia que, mesmo por pouco tempo, procurem fugir
das cobras e coisas peçonhentas e entendam que é bom deixá-las.
Estes, em parte, têm muito mais trabalho que os primeiros, ainda que não tenham
tanto perigo; pois parece que já os entendem, e há grande esperança que entrem mais
adentro. Digo que têm mais trabalho, porque os primeiros são como mudos que não
ouvem, e assim passam melhor o trabalho de não falar; mas não o passariam assim,
senão muito maior, os que ouvissem e não pudessem falar. Mas, nem por isso é mais
de desejar o trabalho dos que não ouvem, porque enfim, grande coisa é entender o
que nos dizem. Assim estes entendem os chamamentos que lhes faz o Senhor, porque
vão entrando mais perto onde está Sua Majestade, é muito bom vizinho e tão grande
a Sua misericórdia e bondade que, mesmo estando nós em nosso passatempo,
negócios, contentamentos e bagatelas do mundo, e até caindo e levantando-nos em
pecados (porque estas alimárias são tão peçonhentas e perigosa sua companhia e
buliçosas que, só por maravilha deixarão de tropeçar nelas para cair), com tudo isto, tem em tanto este Senhor nosso que O amemos e procuremos a Sua companhia que,
uma vez ou outra, não deixa de nos chamar para que nos acerquemos d’Ele. E é esta
voz tão doce, que se desfaz a pobre alma por não fazer logo o que lhe manda; e assim
– como digo – é muito mais trabalho do que não O ouvir.

3. Não digo que estas vozes e chamamentos sejam como outros que direi depois,
mas são com palavras que se ouvem a gente boa, ou sermões ou com o que se lê em
bons livros e outras muitas coisas que tendes ouvido, com as quais Deus chama; ou
enfermidades, trabalhos e também com uma ou outra verdade que Ele ensina
naqueles instantes em que estamos em oração que, seja quão frouxamente quiserdes,
os tem Deus em muito. E vós, irmãs, não tenhais em pouco esta primeira mercê, nem
vos desconsoleis, ainda mesmo que não respondais logo ao Senhor. Bem sabe Sua
Majestade aguardar muitos dias e anos, em especial quando vê perseverança e bons
desejos. Esta perseverança é aqui o mais necessário, porque com ela jamais se deixa
de ganhar muito. Mas é terrível a violência que aqui usam os demónios de mil
maneiras, com mais tormento da alma que na morada anterior; porque ali, estava
muda e surda, pelo menos ouvia muito pouco e resistia menos, como quem tem, em
parte, perdida a esperança de vencer; aqui está o entendimento mais vivo e as
potências mais hábeis; e são os golpes e a artilharia de tal modo, que a alma não pode deixar de ouvir. Porque aqui é o representarem os demónios estas cobras das coisas do mundo e fazerem os seus contentos quase eternos, a estima em que nele se é tido, os amigos e parentes, a saúde que se pode perder nas coisas de penitência (pois sempre começa a alma que entra nesta morada a desejar fazer alguma), e outras mil maneiras de impedimentos.

4. Ó Jesus, que barafunda a que põem aqui os demónios e as aflições da pobre
alma, que não sabe se há-de passar adiante ou voltar ao primeiro aposento! É que a
razão, por outra parte, representa-lhe o engano que é pensar que tudo isto vale alguma coisa em comparação do que pretende. A fé ensina-lhe o que é que lhe cumpre fazer; a memória representa-lhe em que vão parar todas estas coisas, tornando-lhe presente a morte, e algumas súbitas, dos que muito gozaram destas coisas que viu; quão depressa são esquecidos de todos, como viu pisar debaixo da terra alguns que
conheceu em grande prosperidade – e até mesmo ter ela passado sobre suas sepulturas
muitas vezes – e pensar que naquele corpo estão fervilhando muitos vermes e muitas
outras coisas que podem ocorrer; a vontade inclina-se a amar Aquele em quem tem
visto tão inumeráveis coisas e mostras de amor, e quereria pagar alguma; em especial, põe-se-lhe diante como nunca se aparta dela este verdadeiro Amador, acompanhando-a, dando-lhe vida e ser. Logo o entendimento acode dando-lhe a entender que não pode encontrar melhor amigo, ainda que viva muitos anos; que todo o mundo está cheio de falsidade, e estes contentos que lhe representa o demónio, estão cheios de trabalhos e cuidados e contradições; e lhe diz que está certo que, fora deste castelo, não encontrará segurança nem paz; que se deixe de andar por casas alheias, pois a sua está cheia de bens, se a quiser gozar; que ninguém acha tudo que há mister senão em sua casa, em especial tendo tal Hóspede, que a fará senhora de todos os bens; se ela quiser não andará perdida, como o filho pródigo, comendo manjar de porcos.

5. Razões são estas para vencer os demónios. Mas, ó Senhor e Deus meu! Os
costumes das coisas de vaidade e o ver que toda a gente trata disso, estraga tudo!
Porque está tão morta a fé, queremos mais o que vemos do que aquilo que ela nos
diz. E, na verdade, não vemos senão excessiva má ventura nos que se deixam ir atrás
destas coisas visíveis. Mas isso fizeram estas coisas peçonhentas que tratamos; como
alguém que é mordido por uma víbora se empeçonha e incha todo, assim aqui, se não
nos acautelamos; claro está que para sarar são precisas muitas curas; e grande mercê
nos faz Deus, se não morremos disso. É certo que a alma passa aqui grandes
trabalhos, em especial se o demónio entende que ela tem disposições de sua condição
e costumes para ir muito adiante: todo o inferno se juntará para fazê-la tornar a sair para fora.

6. Ah! Senhor meu!, aqui é mister a Vossa ajuda, pois, sem ela, não se pode fazer
nada. Por Vossa misericórdia não consintais que esta alma seja enganada para deixar
o que começou. Dai-lhe luz para ver como está nisto todo o seu bem e para se apartar
das más companhias. Grandíssima coisa é tratar com os que tratam disto e achegarse,
não só aos que vir nestes aposentos em que está, mas também aos que entender
que já entraram nos mais interiores; porque lhe será grande ajuda, e tanto poderá
conversar com estes, que ali a metam consigo. Esteja sempre de sobreaviso para não
se deixar vencer; porque, se o demónio a vê com uma grande determinação de que,
antes perderá a vida, o descanso e tudo o que ele lhe oferece, do que voltar ao primeiro aposento, muito mais depressa a deixará. Seja varão e não dos que se deitavam a beber de bruços, quando iam para a batalha, não me lembro com quem, mas
determine-se: vai pelejar com todos os demónios e não há melhores armas do que as
da Cruz.

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CASTELO INTERIOR – Cap 2,12-18

  1. Destas primeiras moradas posso eu dar sinais muito certos, por experiência. Por isso digo que não considerem poucos aposentos, senão um milhão deles; porque, de muitas maneiras, entram aqui almas, umas e outras com boa intenção. Mas, como o demônio sempre a tem tão má, deve terem cada um muitas legiões de demônios a combater para que não passem de uns a outros. Como a pobre alma não o entende, por mil maneiras nos engana, o que não pode fazer já tanto às que estão mais perto onde está o Rei Aqui, porém, como ainda estão embebidas no mundo e engolfadas em seus contentos e desvanecidas com suas honras e pretensões, não têm força os vassalos da alma (que são os sentidos e potências naturais que Deus lhe deu), e facilmente estas almas são vencidas, embora andem com desejos de não ofender a Deus, e façam boas obras. As que se virem neste estado precisam de recorrer amiúde, como puderem, a Sua Majestade, tomar a Sua bendita Mãe por intercessora e a Seus santos, para que pelejem por elas, pois os seus criados pouca força têm para se defender. E, na verdade, em todos os estados é necessário que ela nos venha de Deus. Sua majestade no-la dê por Sua misericórdia, amém.
  2. Que miserável é a vida em que vivemos! Porque, em outra parte, disse muito do dano que nos faz, filhas, não entender bem isto da humildade e do próprio conhecimento, nada mais vos digo aqui, ainda que seja o que mais importa, e praza a Deus tenha dito alguma coisa que vos aproveite.
  3. Haveis de notar que, nestas primeiras moradas, ainda não chega quase nada da luz que sai do palácio onde está o Rei; porque, embora não estejam obscurecidas e negras como quando a alma está em pecado, estão de alguma maneira obscurecidas para poderem ver quem está nelas e não por culpa do aposento – não me sei dar a entender -, mas porque entraram com a alma tantas coisas más de cobras e víboras e coisas peçonhentas que não a deixam reparar na luz. É como se alguém entrasse em um lugar aonde entra muito sol e levasse terra nos olhos, que quase os não pudesse abrir. O aposento está claro, mas ela não o goza pelo impedimento destas feras e alimárias que lhe fazem cerrar os olhos para não ver senão a elas. Assim me parece deve ser uma alma que, embora não esteja em mau estado, está tão metida em coisas do mundo e tão embebida com sua fazenda ou honra ou negócios – como disse – que, ainda que de fato e verdade queira ver e gozar da Sua formosura, não a deixam nem parece que possa desembaraçar-se de tantos impedimentos. E convém muito, para entrar nas segundas moradas, que procure dar de mão às coisas e negócios não necessários, cada um conforme à seu estado; é coisa que lhe importa tanto para chegar à morada principal, que, se não começa a fazer isto, o tenho por impossível; e até mesmo o estar sem muito perigo naquela em que está, embora já tenha entrado no castelo, porque entre coisas tão peçonhentas, uma vez ou outra é impossível que deixem de lhe morder.
  4. 15. Pois que seria, filhas, se às que já estão livres destes tropeços, como nós, e entrámos já muito mais adentro de outras moradas secretas do castelo, se por nossa culpa tornássemos a sair para estas barafundas, como por nossos pecados deve haver muitas pessoas a quem Deus faz mercês, e por sua culpa se lançam nesta miséria? Aqui estamos livres quanto ao exterior; no interior, praza ao Senhor que o estejamos e que Ele nos livre. Guardai-vos, filhas minhas, de cuidados alheios. Olhai que em poucas moradas deste castelo deixam de combater os demônios. É verdade que em algumas têm força os guardas para pelejar, que são as potências – como creio ter dito -; mas é muito necessário não nos descuidarmos para entender seus ardis e não nos engane o demônio feito anjo de luz; pois há uma multidão de coisas com que ele nos pode fazer dano, pouco a pouco, e, até que o faça, não o entendemos.
  5. Já vos disse de outra vez que ele é como uma lima surda, que é preciso entendê-lo nos princípios. Quero dizer alguma coisa para vo-lo dar melhor a entender. Dá ele a uma irmã vários ímpetos de penitência, e a esta lhe parece que não tem descanso senão quando se está atormentando. Este princípio é bom; mas, se a prioresa mandou que não façam penitências sem licença e o demônio lhe faz parecer que a coisa tão boa bem se pode atrever, e às escondidas se dá a tal vida que vem a perder a saúde e não poder fazer o que manda a sua Regra, já vedes em que vai parar tal bem. Dá a outra um zelo de perfeição muito grande. Isto é muito bom; mas poderá vir daqui, que qualquer faltita das irmãs lhe pareça uma grande quebra e assim vir-lhe o cuidado de ver se as fazem, e de recorrer à prioresa; e até, às vezes, poderá ser ela não ver as suas próprias faltas pelo grande zelo que tem da Religião; como as outras não vêm o interior, e vêm o cuidado exterior, poderia ser que o não tomassem tanto a bem.
  6. O que aqui pretende o demônio não é pouco; é esfriar a caridade e o amor de umas para com as outras, o que seria grande dano. Entendamos, minhas filhas, que a perfeição verdadeira é amor de Deus e do próximo e, com quanto mais perfeição guardarmos estes dois mandamentos, seremos mais perfeitas. Toda a nossa Regra e Constituições não servem para outra coisa, senão de meios para guardar isto com mais perfeição. Deixemo-nos de zelos indiscretos, que nos podem fazer muito dano. Cada uma olhe para si mesma. Porque noutra parte vos falei largamente sobre isto, não me alongarei.
  7. Importa tanto este amor de umas para com as outras, que eu nunca quereria que dele vos esquecêsseis; porque, de andar olhando nas outras a umas ninharias que às vezes não será imperfeição, mas, como sabemos pouco, talvez o lançaremos à pior parte, pode a alma perder a paz e ainda inquietar a das outras. Vede como custaria caro a perfeição! Também poderia o demônio trazer esta tentação para com a prioresa e seria mais perigosa. Para isto é mister muita discrição: porque, se forem coisas que vão contra a Regra e Constituição, é preciso que nem sempre se lancem à boa parte, mas sim avisá-la; e, se não se emendar, ao Prelado: isto é caridade. E também para com as irmãs, se fosse alguma coisa grave; deixar passar tudo com medo de que seja tentação, seria a mesma tentação. Mas é preciso ponderar muito (não nos engane o demônio) não o tratar umas com as outras, pois disso pode o demônio tirar grande proveito e começar o costume da murmuração; mas apenas tratá-lo com quem há-de aproveitar, como já disse.Aqui, glória a Deus, não há tanta ocasião para isso, porque se guarda tão contínuo silêncio; mas é bom que estejamos de sobreaviso.

CASTELO INTERIOR – Cap 2,8-11 e 13

  1. Pois voltemos ao nosso castelo de muitas moradas. Não haveis de imaginar estas moradas uma após outra, como coisa alinhada; mas ponde os olhos no centro que é a casa ou palácio onde está o Rei, e considerai-a como um palmito, que, para chegar ao que é de comer, tem muitas coberturas que cercam tudo quanto é saboroso. Assim aqui, em redor desta morada, há outras muitas e também por cima. Porque as coisas da alma devem-se considerar com amplidão, largueza e grandeza, e nisto não há demasia, pois tem maior capacidade do que nós poderemos considerar, e a todas as partes dela se comunica este Sol que está no palácio. Isto importa muito a qualquer alma que tenha oração, pouca ou muita: que não a tolha nem a aperte. Deixe-a andar por estas moradas, em cima, em baixo e aos lados, pois Deus lhe deu tão grande dignidade; não se obrigue a estar muito tempo num só aposento! Oh! mas se é no próprio conhecimento! E quão necessário é isto (vejam se me entendem), mesmo aquelas que o Senhor tem na mesma morada em que Ele está, pois – por mais elevada que esteja a alma -, não lhe cumpre outra coisa, nem poderá, ainda que queira que a humildade sempre fabrica o seu mel, como a abelha na colmeia; sem isto, tudo vai perdido. Mas consideremos que a abelha não deixa de sair e voar para trazer flores; assim a alma no próprio conhecimento: creia-me e voe algumas vezes a considerar a grandeza e a majestade do seu Deus. Aqui achará a sua baixeza, melhor que em si mesma, e mais livre das sevandijas, que entram nas primeiras moradas, que são as do próprio conhecimento; ainda que, como digo, é grande misericórdia de Deus que a alma se exercite nisto, pois tanto se peca por excesso como por defeito, – costuma-se dizer-. E creiam-me que, com a virtude de Deus, praticaremos muito melhor a virtude do que muito presas à nossa terra.
  2. Não sei se fica bem dado a entender, porque é coisa tão importante este conhecermo-nos, que não quereria que nisso houvesse nunca relaxação, por muito subidas que estejais nos céus; pois, enquanto estamos nesta terra, não há coisa que mais nos importe que a humildade. E assim volto a dizer que é muito bom e muito melhor tratar de entrar primeiro no aposento onde se trata disto, que voar aos demais, porque este é o caminho; e, se podemos ir pelo seguro e plano, para que havemos de querer asas para voar? Mas procure-se como aproveitar mais nisto; e a meu ver, jamais acabamos de nos conhecer se não procurarmos conhecer a Deus; olhando à Sua grandeza, acudamos à nossa baixeza; e olhando à Sua pureza, veremos nossa sujidade; considerando a Sua humildade, veremos como estamos longe de ser humildes.
  3. Há dois proveitos nisto: o primeiro, está claro que uma coisa branca parece muito mais branca ao pé duma negra e, ao contrário, a negra ao pé da branca. O segundo é, porque o nosso entendimento e nossa vontade se tornam mais nobres e mais dispostos para todo o bem, quando, às voltas consigo mesmos, tratam com Deus. E se nunca saímos do nosso lodo de misérias, é coisa muito inconveniente. Assim como dizíamos dos que estão em pecado mortal quão negras e de mau odor são seus cursos de água, assim aqui (ainda. que não são como aqueles, Deus nos livre, que isto é só comparação), metidos sempre na miséria da nossa terra, nunca o curso sairá do lodo de temores, de pusilanimidade e cobardia: de olhar a se me olham, se me não olham; se indo por este caminho, me sucederá mal; se ousarei começar aquela obra, se será soberba; se é bom que uma pessoa tão miserável trate de coisa tão alta como a oração; se me hão de ter por melhor não indo pelo caminho de toda a gente; que não são bons os extremos, mesmo em virtude; que, como sou tão pecadora, será cair de mais alto; não irei talvez por diante e farei dano aos bons; uma como eu não precisa de singularidades.
  4. Oh! valha-me Deus, filhas, quantas almas deve o demônio ter feito perder muito por este meio! Tudo isto lhes parece humildade e outras muitas coisas que pudera dizer, vem de nunca acabarmos de nos entender; rende-se o próprio conhecimento, e, se nunca saímos de nós mesmos, não me espanto, que isto e mais se possa temer. Por isso digo, filhas, que ponhamos os olhos em Cristo, nosso Bem, e ali aprenderemos a verdadeira humildade, e em seus santos, e enobrecer-se-á o entendimento – como disse -, e não ficará o próprio conhecimento rasteiro e cobarde; pois que, embora esta seja a primeira morada, é muito rica e de tão grande preço e, se se escapa das sevandijas que nela há, não se ficará sem passar adiante. Terríveis são os ardis e manhas do demônio para que as almas não se conheçam a si mesmas nem entendam Seus caminhos.
  5. Que miserável é a vida em que vivemos! Porque, em outra parte, disse muito do dano que nos faz, filhas, não entender bem isto da humildade e do próprio conhecimento, nada mais vos digo aqui, ainda que seja o que mais importa, e praza a Deus tenha dito alguma coisa que vos aproveite.